Divergent: o medo desperta-te

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Fui ver Divergent sem ter visto o trailer, mas vi alguns minutos de um programa que focava o filme e que que me despertaram a curiosidade. Já tinha lido que o filme era baseado num livro best seller americano de uma jovem autora de Chicago e que afinal não era apenas um, mas uma trilogia: Divergent (divergente), Insurgent (insurgente) e Allegiant (convergente).

Ora, só aqui tínhamos condições para mais um filme à la The Hunger Games ou algo do género. Mas foi uma surpresa. Para mim, o mundo de Divergent, que tem lugar numa Chicago do futuro, e em concreto a sua personagem central, vão além do(s) conceito(s) de Jogos da Fome. A procura pela resposta à pergunta “Quem sou eu?” tudo tem a ver com as questões da adolescência (e na verdade de toda a nossa vida) e da procura da nossa identidade – onde me encaixo? será que encaixo? mas tenho de me encaixar? ou posso ser “fora da caixa”?

Tris é mais do que a heroína auto-proclamada, ela é a personificação da superação feminina face aos medos e às sensibilidades (e empatias) que na realidade causam, muitas vezes, inércia e deitam por terra o sonho de uma vida mais corajosa e destemida. Tris assume o medo e a possibilidade de fracasso é permanente, deixando-nos a sentir uma ansiedade constante e nos “obriga” a fazer o caminho com a personagem.

“Fear doesn’t shut you down; it wakes you up. I’ve seen it. It’s fascinating.”

Shailene Woodley não podia ter tido substituta. Já em The Descendents Shailene não me passou despercebida. Em Divergent, a actriz imprimiu fragilidade e audácia, ambas na dose certa. Sem forçar. (Devo dizer aqui que, esta é para mim a arma de peso quando comparadas Tris e Katniss (The Hunger Games).

Agrada-me também que, apesar de preponderante, a história de amor que surge da inconformidade de Tris perante a sua “fraqueza” física, não é o motor da história. O enredo é sempre guiado pela idiossincrasia de Tris, e isso é refrescante. Falando da história de amor, não posso deixar de salientar a personagem Four. Um corajoso soldado que apesar da sua dureza, não receia reconhecer a força nos outros. Duro, distante para a maioria, protector, e alguém que não quer encaixar numa única categoria. Four está muito bem desempenhado por Theo James (e não é fácil uma personagem masculina cair-me no goto).

A película tem a duração ideal. Se por um lado, ficamos com vontade de saber o que reserva o futuro às personagens após o desenlace final, por outro saimos saciados porque o enredo e a acção enchem-nos as medidas. Por falar em acção (e porque lido com artes marciais todos os dias), achei curioso e interessante, o tempo investido na singularidade do estilo de luta entre a facção dos Dauntless (intrépidos ou corajosos).

Para mim, 5*. Venham os próximos.

E para os que, como eu, ainda não viram o trailer, aqui fica.

(e ainda Shailene Woodley… no final do post)

E porque é sempre bom uma mulher enaltecer outra, aqui fica Shailene Woodley com muita pinta.

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